terça-feira, 23 de abril de 2013

Fragmento de "Os demônios do velho sobrado"

Do conto Os demônios do velho sobrado, p. 57 do meu livro Na guarita e outras palavras de gaveta:
- Em homenagem ao gatinho lá do fim do blog. -

"O velho sobrado estava à venda há muito tempo. Vazio, jazia como que adormecido entre os casarios reformados que lhe faziam divisa. A calçada estreita servia de repouso para cães vadios que se amontoavam em volta de alguma cadela no cio; todos lagarteando ao sol. Um gato sonolento e magro espiava da única janela da fachada, cujas persianas pendiam moribundas de solitárias e enferrujadas dobradiças inferiores. O odor de mofo e poeira acumulada sobre os móveis abandonados e as paredes vazias podia ser sentido da rua. O forro de madeira pendia aqui e ali, deixando passar imensas teias de aranha que se projetavam sobre as peças frias."

O livro está à venda nas livrarias virtuais:
www.asabeca.com.br e

www.livrariacultura.com.br


segunda-feira, 22 de abril de 2013

Fragmento de "Mundo efêmero"

Fragmento da crônica Mundo efêmero, p. 37-38, em Na Guarita e outras palavras de gaveta, Ed. Scortecci, 2013, de minha autoria:

"O que nos conforta é justo isso: que não apenas o bom é efêmero, mas também o que é mal. E, se por um lado nos assustamos com a ideia de que cada um de nós, e todas as coisas, caminham para o seu fim, por outro lado, caminhamos. Estamos em movimento. Estamos vivendo. Mesmo que seja para um dia morrer. Ainda assim algo de nós ficará. A lembrança de belos olhos; o beijo; o abraço; o cheiro; a voz; as coisas que foram ditas; o toque das mãos; tudo que se escreveu... Algo nosso, realmente."
Amy Winehouse, cantora inglesa



sábado, 20 de abril de 2013

Fragmento de "Os outros meios"

Fragmento de conto (p. 106-107) do livro Frente fria, contos de inverno, de 2003, em que assinei como J. T. Souza, com publicação pela Gráfica Saraiva, de Rio Pardo:

"Naquela hora, somente naquela hora em que se observava não soube responder. Por que não era uma simples questão de chegar onde queria; não era uma oportunidade para provar seu talento; não era por que já se achasse velha e nem era, muito menos, uma questão de vida ou morte. Era, na verdade (e descobriu-se impressionada com isso), por que a ambição fervia em suas veias; por que o orgulho jamais lhe permitiria voltar atrás, nem ao menos olhar para trás; por que prometera a si mesma sucesso e felicidade, mesmo sem saber o preço de cada desejo e, por que, principalmente, admitira, diante da própria imagem, olhando com determinação em seus próprios olhos, gostar muito de sexo."


sexta-feira, 19 de abril de 2013

Fragmento de Cartas a Théo

Fragmento de Cartas a Théo, do pintor holandês Vincent Van Gogh (1853-1890), p. 102, Porto Alegre: L&PM, 2012:

Van Gogh escreve esse trecho após descrever ao irmão a sensação que lhe provocara um passeio seu pelos campos e florestas de Leidschendam, no período em que ainda estava na Holanda.

"Esta imagem me fez ver como também um homem de modos e atitudes absurdos ou cheios de excenntricidades e de caprichos, tão logo sinta-se atingido por uma verdadeira ou comovida por uma desventura, pode tornar-se uma figura dramática de um caráter extraordinário. Cheguei a pensar um instante na sociedade atual, em como ela também, enquanto precipita-se para sua própria ruína, pode às vezes, vista por contraste à luz de uma renovação, aparecer por momentos como uma grande e escura silhueta.
Sim, para mim, o drama da tempestade na natureza, o drama da dor na vida, são certamente os mais perfeitos."

A natureza marcava fortemente a Van Gogh. Ele tinha uma sede de entranhar-se na essência das coisas: de uma árvore, de um rio, de uma plantação, de um céu azul ou vermelho. Mas também enternecia-se e tentava traduzir imagens cotidianas de mulheres e homens sofridos com o trabalho miserável no campo e nas minas.
A imagem acima é um autorretrato de Van Gogh.

Aproveitem e visitem o site do Museu Van Gogh:
www.vangoghmuseum.nl



Conceito de metafísica

Segundo o Dicionário Básico de Filosofia, de H. Japiassú e D. Marcondes, da Jorge Zahar Editor, 3ª ed. revista e ampliada, 1996, o termo metafísica tem várias definições. Em si, ele significa "além da física", "após a física". É aquilo que transcende a física e é o tratado do ser enquanto ser, na tradição filosófica clássica. Segundo Schopenhauer, se para Kant a física é fenômeno, a metafísica é a coisa-em-si.

É por aí que vamos. Vamos juntando nossa poeira para depois sacudi-las até os ossos, até que se solte o espírito.

Fragmento de "Luzes"

Fragmento de "Luzes", do livro Na guarita e outras palavras de gaveta, p. 88:

[...] Venha comigo pelo sol,
Esqueça as imagens da ilusão,
Cobre meu corpo com um lençol
E toca a dor do meu coração.
Cura-me a alma ferida...
Cura a esperança perdida!
Faça você o milagre,
Transforma em água o vinagre. [...]

PLUCÊNIO, Jaque. São Paulo: Ed. Scortecci, 2013.

quinta-feira, 18 de abril de 2013

Jaque Plucênio

Olá, pessoal!
Eu sou Jaque Plucênio, florista e escritora licenciada em Filosofia.
Nesse lugar vocês encontrarão poeira de mim, do mundo e, desse modo, de cada um que por aqui passar - ou não. Ou seja, passemos, partamos ou fiquemos - ou mesmo que nem venhamos - somos só poeira indo de um lado para outro, depositando-se aqui e ali; um dia toda essa poeira física será apenas poeira metafísica. É isso o que somos. Somos apenas isso.